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YELLO-WOMEN

Foto do escritor: DESIGUALblog
DESIGUALblog
24 de mai. de 2021
2 min de leitura

Atualizado: 11 de mar. de 2022



Yello-woman



desigualblog: Você desenha figuras femininas que parecem estar no seu universo próprio, particular. De onde elas vêm?

Lia Ielo: Todas elas de certa forma dialogam com momentos que eu me imagino vivendo, sejam eles positivos ou negativos, todas elas vivem, portanto, em fantasias minhas sobre a realidade e nascem de sentimentos meus sobre essa mesma realidade.


desigualblog: Existem meninas que desenham, mas não são todas. Por que a menina desenha? A menina desenha a mulher para fazê-la existir ou para se livrar das imagens parasitárias de feminilidade?

Lia Ielo: O desenho para mim vem como uma resposta instintiva a uma necessidade emocional, quando não sei lidar com o que estou sentindo o desenho lida. Desenho a mulher para fazê-la existir, para ela ter espaço para se concretizar como mulher, e não apenas como sentimento. Elas de certo correspondem a um padrão de feminilidade que eu alimento na imaginação, mas quase nunca concretizo na realidade, acredito ser um recurso para dar forma as imagens de feminilidade que eu cultivo, não sei dizer se são parasitárias, mas não gostaria de me livrar delas.


desigualblog: Nos seus desenhos, o corpo e a roupa dizem juntos, trabalham juntos, eu não conseguiria separá-los. Se a roupa faz parte da figura feminina, do que a mulher se veste?

Lia Ielo: A mulher se veste de símbolos, símbolos que a ajudam a se expressar, as roupas e seus caimentos têm momentos para serem usados e corpos aos quais servem, são um recurso para que possam se enxergar como são com mais facilidade.


desigualblog: Meninas-palhacinhas. Uma mulher lendo, sentada na privada. Uma mocinha com olhos manchados, fumando um cigarro. Quem precisa saber disso?

Lia Ielo: Elas e eu, elas precisam se sentir confortáveis consigo mesmas em momentos de vulnerabilidade afim de se conhecer verdadeiramente e eu preciso ver que isso de fato foi alcançado.


desigualblog: Finalmente, quando a menina que desenha sabe que a mulher ficou desenhada? Onde ela pára de desenhar?

Lia Ielo: Sabe sim, a sensação de completude e de um peso das costas retirado é muito clara, mesmo quando o próprio peso em si é abstrato. A menina nunca para de desenhar, o ato de desenhar em si é o fim do processo, mas estou sempre desenhando, uma vez que esses processos são infinitos, existem muitos já em ação e muitos são criados o tempo todo, apesar de só alguns, talvez os mais gritantes, de fato se tornarem desenhos.

Lia Ielo

Instagram: @yellowcoisas










 
 
 

1 comentário


rmisailidis
rmisailidis
25 de mai. de 2021

Lia, adorei tuas respostas a perguntas tão provocadoras. Elas me fizeram pensar porque a mulher precisa tanto que o outro diga sobre ela? O feminino sabe contar de si. Teus desenhos me lembram dos diários onde as jovens guardam seus mistérios e segredos, onde guardam nas palavras escritas todas as imagens que ao longo do tempo vão formando de si mesmas. Curti muito!!

Maria del Rosario

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