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POEMA À SECO

Foto do escritor: DESIGUALblog
DESIGUALblog
24 de dez. de 2020
1 min de leitura

Poema à seco


Não foi teu amor

Tão pobre de gesto e inerte nas palavras

Foi teu desamor


Teu desamor que é vacina

Curou a doença tímida

do peito vacilante, amedrontado


a esperança inflamatória

Que o analista não decifrou

Que uma análise não curou


Bendito seja o teu veneno

Bendito o rosnado canino, os incisivos que tua boca exibe

Para o demônio invejar


o vidro que tu me destes era oval

continha um líquido âmbar de cheiro inofensivo

em dourado escrito “her Golden secret”


dito e feito

ficou o dito pelo não-dito

admito


Senhor do teu castelo, da tua masmorra

Senhor das tardes e do silêncio

Senhor absoluto de mim



Teu amor floriu como uma rosa pálida, triste

O meu: flor roxa, aberta

Um sorriso estupido e infantil


No fim de tudo, você quis apenas a sombra

Vaidoso de saber esquecer

Fascinado pelo teu para-sempre


Restaram em mim os anticorpos

Restou em mim a cicatriz fibrótica e rebelde

Nada em mim gosta de esquecer


MT Lemos

Campinas, 13/12/2020

 
 
 

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