POEMA À SECO

Poema à seco
Não foi teu amor
Tão pobre de gesto e inerte nas palavras
Foi teu desamor
Teu desamor que é vacina
Curou a doença tímida
do peito vacilante, amedrontado
a esperança inflamatória
Que o analista não decifrou
Que uma análise não curou
Bendito seja o teu veneno
Bendito o rosnado canino, os incisivos que tua boca exibe
Para o demônio invejar
o vidro que tu me destes era oval
continha um líquido âmbar de cheiro inofensivo
em dourado escrito “her Golden secret”
dito e feito
ficou o dito pelo não-dito
admito
Senhor do teu castelo, da tua masmorra
Senhor das tardes e do silêncio
Senhor absoluto de mim
Teu amor floriu como uma rosa pálida, triste
O meu: flor roxa, aberta
Um sorriso estupido e infantil
No fim de tudo, você quis apenas a sombra
Vaidoso de saber esquecer
Fascinado pelo teu para-sempre
Restaram em mim os anticorpos
Restou em mim a cicatriz fibrótica e rebelde
Nada em mim gosta de esquecer
MT Lemos
Campinas, 13/12/2020



Comentários