O SILÊNCIO DOS PERVERSOS

Atualizado: 1 de out. de 2021

O silêncio dos perversos
O silêncio dos perversos é do olho, que não vaga
Não vê nada além da coisa que há para ser vista
Não supõe a outra coisa, que lhe pende, abscissa
Não existe um perverso em particular, apenas os perversos
Animais do bando, crias da infâmia social, das pequenas hipocrisias
Da miséria pouca, porque miséria pouca é bobagem
Miséria não-pouca é a do amor, que perde o sono
Só de ver o sofrimento da criança amada, desejada
O perverso não pediu para ser, mas tornou-se signo do vazio
O olho vazio do perverso nasceu antes do seu ato
Antes da pombinha morta, antes do pavor que provocou nas meninas
Mas nunca se saberá quando assumiu ser despossuído de alma
Do perverso não se saberá
Os perversos não se farão saber
A lei o encontrará nos escombros e nas brechas
Que movem inconscientemente os chamados inocentes
Os tolos cujo olhos repelem os animais
que vivem nas sombras do saber
Maria Teresa Lemos
Campinas, 26, agosto, 2021

Desenho Fernando Lemos



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