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O SILÊNCIO DOS PERVERSOS

Foto do escritor: DESIGUALblog
DESIGUALblog
26 de ago. de 2021
1 min de leitura

Atualizado: 1 de out. de 2021



O silêncio dos perversos



O silêncio dos perversos é do olho, que não vaga

Não vê nada além da coisa que há para ser vista

Não supõe a outra coisa, que lhe pende, abscissa


Não existe um perverso em particular, apenas os perversos

Animais do bando, crias da infâmia social, das pequenas hipocrisias

Da miséria pouca, porque miséria pouca é bobagem


Miséria não-pouca é a do amor, que perde o sono

Só de ver o sofrimento da criança amada, desejada

O perverso não pediu para ser, mas tornou-se signo do vazio


O olho vazio do perverso nasceu antes do seu ato

Antes da pombinha morta, antes do pavor que provocou nas meninas

Mas nunca se saberá quando assumiu ser despossuído de alma


Do perverso não se saberá

Os perversos não se farão saber

A lei o encontrará nos escombros e nas brechas

Que movem inconscientemente os chamados inocentes

Os tolos cujo olhos repelem os animais

que vivem nas sombras do saber



Maria Teresa Lemos

Campinas, 26, agosto, 2021


















Desenho Fernando Lemos

 
 
 

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