o sexo imaginário no divã/ o imaginário do sexo no divã/ o divã imaginário do sexo

Atualizado: 18 de dez. de 2020

/Pensada do lado do divã, a diferença sexual é irrelevante. O analista não escuta um homem ou uma mulher, escuta apenas a criança/
/A diferença sexual para a criança é imaginária, ou seja, algo que não se imagina porque já está representado no quadro da realidade/
/A criança imagina monstro, o bicho papão, o vazio do escuro que não tem nome. Mas a diferença sexual já veio no nome, na língua e no discurso, portanto, prét-à-porter e prét-à-parler/
/Logo, a diferença sexual não serve para nada a não ser para se repetir/
/A diferença sexual se repete como resposta irrelevante e irresoluta quando o enigma do desejo coloca “Eu” contra a parede/
/”Que queres?”/
/Desde o seu nascimento, quando através do espelho o Olhar se verteu para dentro do corpo como puro agalma, “Eu” só quis ser. Mas o Sexo, o Outro e o vazio do escuro que não tem nome, o que isso quis de mim?/
/Incrédula e inquieta, a criança devolve a pergunta: ”Espelho, espelho meu: para-ser tu queres minha morte, minha perda, meu tudo-ser-e-meu-mundo-é?” Na falta de resposta, procura e vasculha gavetas, experimenta a roupa da mãe, faz fogo no quintal, abre um livro de nome obscuro/
/A curiosidade infantil incansável é que faz pesquisa, hipótese e teoria mas o sistema nunca fecha porque paradoxalmente ele exigiria que a mãe tivesse o Falo mas também que não o tivesse/
/A criança não faz idéia da diferença sexual, que não é de pare-ser mas do fale-ser. O analista não sabe nada da diferença sexual porque só extrai saber do que a criança soletrou do sonho/
/Ser ou não ser não foi a questão. Da sexualidade e do saber o impossível é de deles não fazermos mais tanta questão/
MT Lemos
Campinas, 16/01/2020
Desenho Juliano Moraes



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