Ficções clinicas

Ficções Clínicas: bem-dizer/mal-dizer o feminino (2)
MTLemos
A Série ficções clínicas são pequenos textos que inventam o diálogo analítico a partir de cacos tomados aqui e ali e não têm a pretensão de revelar a verdade de um psicanalisante, muito menos a expertise de um psicanalista. Não sem humor, os casos inventados trazem à baila os limites do dizer, os aprisionamentos do mal-dito e as façanhas do bem dizer.
Homem-de-37 anos: “Acho injusto! Eu não posso relaxar um minuto e elas podem. Elas podem jogar tudo para o alto e eu não posso”
Analista-mulher-de-meia-idade: “Meu caro, só existe um ser que não pode relaxar um minuto, é a mãe do bebê. O resto das pessoas realmente não pode jogar tudo para o alto mas com certeza podem relaxar um minuto”
Homem de 37 anos: “Não é isso que eu tô dizendo! A criança não sabe o que está fazendo, a minha mulher sabe, ela sabe que alguém vai ter que segurar a barra!”
Analista-mulher-de-meia-idade: “Mas não é justo o contrário? A criança joga tudo para o alto porque sabe que a mãe segura a onda para ela?”
Homem-de-37-anos: “Você está confundindo tudo”
Analista-mulher: (silêncio)



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