femme-ni-í.liz.m

Atualizado: 11 de mar. de 2022

femme-ni-í.liz.m
femin-instas, empóderadas
a mulher carrega no corpo
o corpo como empreitada
diz-inibida, já diz-graçada
o quê de sublime carrega o corpo da mulherada?
a nota de almíscar resolveu a parada
uma nota de jasmim, uma cor alaranjada,
o feminino ostenta qualquer falta
que cubra a nudez estúpida, a flor desamparada?
o feminino não brinca em serviço
e a mulher lava a calçada
esfrega toda a sujeira, dá bronca na criançada
que mulher, neste mundo, desconhece ao que está destinada?
a menina sabe de tudo, a mulher diz-memoriada
o feminino ficou mudo, virgo santificada
agora fortaleça seus membros, alongue suas beiradas
descanse o olhar, dobre a roupa lavada
prepare-se, hoje tua sorte será lançada
não pule os dias, não fuja da tua jornada
da terra-do-faz-de-conta ficou uma cicatriz cravada
diz-reprima tua pele, libere a tua mirada
seja mulher, não se faça de rogada
descanse antes teu corpo, massageie suas beiradas
chegou o teu momento, já não sabes mais de nada
Maria Teresa G. de Lemos
Campinas, 12/05/2001




Bom dia, Teresa! .. a leitura me fez pensar: Se uma filha soubesse o que é uma mãe! E se uma mãe pudesse dizer para sua filha desde o começo: Sou apenas uma mulher cheia de vazios e buracos, não fique tão deslumbrada com esta imagem que como todas e todos " não sabemos de nada"....me fez pensar também no artificio do feme-niilismo, como o vazio pode ser mostrado com tanta beleza...quanto embuste há na ficção. Obrigada pela poesia!
Abraço forte!