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femme-ni-í.liz.m

Foto do escritor: DESIGUALblog
DESIGUALblog
14 de mai. de 2021
1 min de leitura

Atualizado: 11 de mar. de 2022



femme-ni-í.liz.m



femin-instas, empóderadas

a mulher carrega no corpo

o corpo como empreitada


diz-inibida, já diz-graçada

o quê de sublime carrega o corpo da mulherada?

a nota de almíscar resolveu a parada


uma nota de jasmim, uma cor alaranjada,

o feminino ostenta qualquer falta

que cubra a nudez estúpida, a flor desamparada?


o feminino não brinca em serviço

e a mulher lava a calçada

esfrega toda a sujeira, dá bronca na criançada


que mulher, neste mundo, desconhece ao que está destinada?

a menina sabe de tudo, a mulher diz-memoriada

o feminino ficou mudo, virgo santificada


agora fortaleça seus membros, alongue suas beiradas

descanse o olhar, dobre a roupa lavada

prepare-se, hoje tua sorte será lançada


não pule os dias, não fuja da tua jornada

da terra-do-faz-de-conta ficou uma cicatriz cravada

diz-reprima tua pele, libere a tua mirada


seja mulher, não se faça de rogada

descanse antes teu corpo, massageie suas beiradas

chegou o teu momento, já não sabes mais de nada



Maria Teresa G. de Lemos

Campinas, 12/05/2001









 
 
 

1 comentário


rmisailidis
rmisailidis
15 de mai. de 2021

Bom dia, Teresa! .. a leitura me fez pensar: Se uma filha soubesse o que é uma mãe! E se uma mãe pudesse dizer para sua filha desde o começo: Sou apenas uma mulher cheia de vazios e buracos, não fique tão deslumbrada com esta imagem que como todas e todos " não sabemos de nada"....me fez pensar também no artificio do feme-niilismo, como o vazio pode ser mostrado com tanta beleza...quanto embuste há na ficção. Obrigada pela poesia!

Abraço forte!

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