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FELIZ

Foto do escritor: DESIGUALblog
DESIGUALblog
21 de jan. de 2021
2 min de leitura


Em seu livro, La langage ordinaire et la différence sexuelle, Moustapha Safouan afirma que todo o sujeito é duplamente capturado pela linguagem ao ponto de que somente por essa captura se define como sujeito. Duplamente, não só porque recebe os significantes em que se escrevem suas primeiras identificações, aquelas graças as quais se nomeia, se faz reconhecer e responde a pergunta sobre quem é, como também porque recebe os significantes em que suas demandas se articulam. Assim, uma vida se inscreve em uma multiplicidade de outras vidas.

Das palavras de M. Safouan faço um recorte para efeito do que, da fala da criança, quero apresentar hoje nesse texto: todo o sujeito é capturado pela linguagem e somente por essa captura se define como sujeito.

Embora aparentemente essa afirmação possa ser dita de fácil entendimento, exige que se tenha minimamente circulado por textos que tratam sobre linguagem/língua/fala. Pode-se até ouvir que é do tipo de leitura que pode ser vista como não necessária, mas necessariamente F. Saussure. Pelo menos é o que penso quando escuto e analiso a fala da criança, ou melhor, quando reflito sobre a passagem de infans (do latim, aquele que não fala) a sujeito falante.

Voltando a M. Safouan citado no início desse texto, me interessa dizer que a captura do sujeito pela linguagem implica de saída em uma posição que coloca o sujeito como objeto do desejo do outro, como faz ver o autor, ao afirmar que o sujeito recebe os significantes em que se escrevem suas primeiras identificações e que suas demandas se articulam. A partir dos episódios de fala de crianças é possível ver o modo como o sujeito ao mesmo tempo que é capturado pela linguagem emerge dessa mesma captura, deixando de ser puro objeto de desejo do outro pelo efeito de haver linguagem:




J Silveira



 
 
 

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