Sargenta Eva Willis entrevista Maria Mulher

Atualizado: 26 de nov. de 2021
Eva Willis entrevista Maria Mulher, a criadora da “Nova economia libidinal”, lançada pela Editora Feminista “Des noveaux dits”
E.Willis: Maria, você se formou em economia pela Usp e logo depois chocou a todos publicando um livro subvertendo vários conceitos da análise mercadológica do saber em Foucault. Parece que agora você mudou de alvo porque sua nova obra quer pôr toda a psicanálise abaixo. É isso mesmo?
M. Mulher: Você está tentando me lisonjear?
E. Willis: Esqueça. Prefiro que você me fale do seu novo livro. De onde você tirou a idéia para escrevê-lo?
M.Mulher: Desde pequena as questões de gênero me intrigavam: por que as mulheres se achavam tão boazinhas fazendo coisas más? E por que os homens são tão facilmente hipnotizáveis?
E. Willis: Você afirma no seu livro que não é a psicanálise mas a economia que tem a chave do mistério das relações entre os sexos. Explique.
M.Mulher: Não falo das relações entre os sexos! Isso não existe, é uma guerra. A psicanálise foi a primeira a descobrir esse mercado e foi uma febre. Mas os problemas internos levaram a perdas imemoráveis. Seu último grande representante, Lacan, criou o french-nihilism dizendo que a relação sexual era impossível e depois disso não se sabe mais por quanto tempo suas ações permanecerão competitivas no mercado. C’est un dommage!
E.Willis: Acho que não foi bem isso que ele quis dizer...
M.Mulher: Não importa, o fato é que a relação sexual está longe de ser impossível. O problema é que ela custa muito caro. A idéia da nova economia libidinal é justamente essa.
E.Willis: Hum... interessantíssima essa idéia!
M.Mulher: Sim, é uma forma lúdica de pensar, um modo totalmente novo de viver. A guerra já cansou todo mundo. O homem mata a mulher com sua fantasia, a mulher mata o homem fazendo dele sua ficção. Você acha que a gente ainda precisa levar essa comédia à sério?
E.Willis: Existe alguma saída desse labirinto de espelhos, dos jogos narcísicos, das olimpíadas sexuais da atualidade?
M.Mulher: Depende do seu capital e do seu timing de investidor. A relação sexual, para existir, depende de uma conjunção de fatores, mas os principais são o timing e o seu capital de gozo fálico acumulado.
E.Willis: Homens e mulheres são diferentes como investidores?
M.Mulher: A economia da mulher é muito simples: ela precisa de um homem para chamar de seu, isto é, controlar. Ela precisa controlar especialmente o seu pênis, justo aquilo que é mais difícil de controlar! Tente explicar para uma mulher que não se encontram homens dispostos a cederem o controle do seu pênis a ela em troca do seu amor. C’est très dificile!
E.Willis: O que um homem investe em uma mulher?
M.Mulher: O homem hetero tem uma economia libidinal mais ativa, mas os rendimentos são pífios. A razão? Não sabe interpretar o mercado de gozo porque acha que as ações dos outros estão mais verdinhas que as dele. Depois dizem que as mulheres é que tem inveja do pênis! Quelle Injustice!
E. Willis: Nesse ponto talvez as feministas concordarão com você.
M.Mulher: É improvável que isto aconteça. Eu escrevi um capítulo inteiro sobre as dificuldades femininas em calcular o gozo do próximo, por estarem absortas demais no próprio. Acho que dificilmente me perdoarão.
E.Willis: Você também afirmou que existe algo que falta às mulheres mas não é o pênis mas sim o cérebro. Você não acha essa afirmação ofensiva?
M. Mulher: Mas, sendo mulher, eu não estava falando para mim mesma? Recomendo isso sempre às mulheres: dê a você mesma a bronca que você precisa que ouvir, antes que o outro o faça. É mais econômico. . Se uma mulher quiser saber o quanto um homem será capaz de investir nela, é preciso que ela faça antes uma investigação exaustiva sobre o pater-nôme-o desse sujeito. Eu apenas quero ensinar às mulheres hetero que elas façam a lição de casa de matemática antes de fazer o teste dos lençóis.
E. Willis: Quer dizer então que a relação sexual é um investimento possível?
M.Mulher: Super possível, mas nada seguro. Se você bobear, você pode perder tudo num piscar de olhos.
E. Willis: Agradeço muito a entrevista, acho que nossas leitoras ficarão curiosas para saber muito mais lendo seu livro.
M. Mulher: Eu que agradeço estar aqui. A desigualdade das desiguais é uma das trends mais rentáveis no cenário atual.




Eva Willis e Maria Mulher, vocês são demais ! depois de ler a entrevista decidi sair da XP para investir no novo livro: Nova Economia Libidinal. Creio sinceramente que vai me render muito mais que qualquer plataforma de investimento atual. Quer dizer que a relação sexual é possível? Como não pensei nisso antes, bem que minha consultora da XP me falou que no fundo eu tinha um perfil agressivo...Obrigada E. Willis e Maria Mulher, vocês chegaram em boa hora! 😀